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O Mundo Não São Só Dois Países

Numa viagem de comboio, dois jovens amigos com a poesia na alma, conversam: - Não sentes que há um determinado momento em que tens mesmo que escrever? - Sim, sinto que se não escrever nesse momento, não voltarei a escrever!

O Mundo Não São Só Dois Países

Numa viagem de comboio, dois jovens amigos com a poesia na alma, conversam: - Não sentes que há um determinado momento em que tens mesmo que escrever? - Sim, sinto que se não escrever nesse momento, não voltarei a escrever!

Lucidez

"Um não leitor pode [...] ter grande sucesso na sua vida. [...] mas também verificamos que a falta de leitura leva milhões de pessoas ao abismo da manipulação. As leituras fragmentadas  e velozes [...] têm como resultado o regresso dos autoritarismos, a intolerância e os discursos de ódio [...]. É mais uma demonstração da poderosíssima força da linguagem."

in Habitar o Som, Rodolfo Castro

 

Obrigada, Rodolfo Castro, pela clarividência das palavras. Nem eu, nem muitos de nós teríamos dito melhor... Gosto da tua escrita, divulgo e recomendo, como gosto das tuas ideias - já há muito que digo que não é por acaso que os regimes totalitários queimam livros e reprimem a palavra, o grande pilar da Liberdade.

Cúmplices na Loucura

Fomo-nos juntando, sem sabermos bem como... Teríamos afinidades, partilharíamos gostos, éramos parceiros no estudo, em alguns casos, éramos amigos de amigos... Hoje, nem sabemos bem o que nos juntou nesse tempo de estudantes universitários, longe de casa, na procura de referências, na errância juvenil de amores e desamores, na demanda de um caminho pessoal e profissional, na procura de equilíbrio, na vontade de viver de dia e de noite, viver, viver, viver... Um viver pleno a que pudéssemos chamar a nossa juventude, que, à semelhança do amor do poeta, queríamos  que fosse "infinita", por já sabermos que não seria "imortal", na sua doce e efémera qualidade de "chama".

Foi o que fizemos! Vivemos plenamente momentos de um consequente eu quero lá saber... Fizemo-lo consequente, sim!, fomos muitas vezes a consciência uns dos outros, preocupámo-nos uns com os outros, ajudámo-nos, aborrecemo-nos, aqui e ali, ter-nos-emos desiludido uns aos outros (a fazer jus à natureza humana!), travámos ou acelerámos à medida do que a vida nos deixava, não perdemos o rumo (enfim, ocasionalmente...), embora, como em todas as juventudes, fosse tão fácil perdê-lo... Aos olhos dos mais convencionais, não necessariamente mais velhos, talvez estivéssemos perdidos, como todos os jovens sempre estiveram... Estávamos, na verdade, a viver infinitamente, num tempo tão único e tão feliz que o gravámos no coração. Demo-nos a conhecer: qualidades, defeitos, famílias, amigos que fomos juntando, trazidos da infância, trazidos de outras cumplicidades.

Hoje, somos outros - profissão, famílias, casas... sonhos, sempre!

E somos os mesmos - somos aqueles que se conheceram e se juntaram aos poucos, sem conhecer por que razão, por que afinidades, num tempo de que trazemos o riso e a certeza de que somos amigos fora do tempo. Somos cúmplices - o que nós sabemos, e até gostamos de partilhar, em jeito de divertida memória, foi vivido num cenário irrepetível; e combatemos a nostalgia com o riso, como em tempos combatemos as convenções.

(Para todos os que pertencerem a um grupo de cúmplices na loucura!)