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O Mundo Não São Só Dois Países

Numa viagem de comboio, dois jovens amigos com a poesia na alma, conversam: - Não sentes que há um determinado momento em que tens mesmo que escrever? - Sim, sinto que se não escrever nesse momento, não voltarei a escrever!

O Mundo Não São Só Dois Países

Numa viagem de comboio, dois jovens amigos com a poesia na alma, conversam: - Não sentes que há um determinado momento em que tens mesmo que escrever? - Sim, sinto que se não escrever nesse momento, não voltarei a escrever!

Chocada

Não tenho tido tempo para escrever o que gostaria de escrever e como gostaria de escrever sobre as reacções e comentários que a minha profissão provoca (e que vou lendo ou que, por vezes, nem consigo terminar de ler!) - nesta altura só um desavisado não terá percebido que sou professora. Vou, contudo, escrevendo aqui e ali, eu própria, um ou outro comentário. O de hoje traduz-se em breves palavras:

- estou, de facto, chocada, com o que pensam de mim (e, no entanto, como sempre foi meu apanágio, o que os outros pensam pertence aos outros, em nada muda a minha vida!...) - estou mesmo convencida de que as pessoas com quem sou socialmente cordial, porque gosto de tratar bem e de ser bem tratada, e que são cordiais comigo, me bateriam se conhecessem a minha profissão;

- não me parece sensato tratar tão mal aqueles a quem entregamos o Futuro; ou então, entreguemo-los (os que serão o Futuro) em outras mãos, o mundo actual é um mundo de tecnologias - computadores, robôs, enfim, um mundo feito de educadores eficazes;

- se os professores resolverem, por cansaço ou, que mais não seja, porque ter a fama sem ter o proveito não traz grande valia, agir como se diz que agem, talvez então haja boas razões para descrer deles - uma sociedade responsável não arriscaria...

- finalmente, todos os dias tenho notícias vindas do "mundo dos antigos alunos" - são adultos responsáveis, equilibrados, profissionais, muitos são excelentes profissionais em muitas e diferentes áreas. Não sou eu que dou relevo ao meu/nosso contributo, são eles!

 

Em suma, diria Pessoa:

"A alma de outrem é outro universo

Com que não há comunicação possível,

Com que não há verdadeiro entendimento."

 

Falta de Atenção

A falta de atenção generalizada conduz à falta de êxito.

 

Escritores que atacam gratuitamente pessoas que, pessoal e profissionalmente, podem contribuir para a divulgação dos seus livros sofrem de falta de atenção.

 

Pessoas que denigrem a imagem daqueles a quem entregam a formação dos que lhe são próximos sofrem de falta de atenção.

 

Políticos que diminuem e ignoram aqueles que lhes confia(ria)m votos sofrem de falta de atenção.

 

 

 

Os Meus Privilégios

Os meus privilégios andam, como tudo o resto na minha profissão, nas bocas do mundo, um facto que me deixa absolutamente maravilhada pela sapiência e conhecimento de causa que revela.

Por mim, feel free, um trabalho tão fácil, que qualquer profissional, independentemente da formação, seria capaz de fazer... A porta está aberta, basta que entrem o profissional ad hoc e o respectivo contributo - serão bem recebidos!

Passo, para que conste, a enumerar alguns dos meus privilégios:

1. "Armei-me" em professora aos 19 anos - tenho o privilégio de ter antigos alunos quase da minha idade;

2. Beneficio do permanente convívio com jovens, um privilégio de poucos;

3. Todos os anos faço dezenas de novos e sinceros amigos - um privilégio que chocará muitos;

4. Tenho sido mãe de muitos jovens, mas beneficiei de não precisar de trocar fraldas;

5. Tenho o privilégio de ver jovens sem regras transformar-se em adultos responsáveis;

6. Tenho o privilégio de ser rigorosa e ser compreendida no meu rigor;

7. Tenho amigos entre todos os profissionais que imaginar se possa;

8. Tenho o privilégio de conviver com habilidades e talentos indizíveis - na Arte, no Desporto, na excelência académica...;

9. Posso visitar os amigos que fui fazendo nos mais diversos lugares do país e do mundo - e visito (Ah... eis um privilégio obtido à custa de sacrifícios, mas que faria saltar uma dúzia de invejosos, se os invejosos lessem o que escrevo);

10. Encontro frequentemente profissionais de reconhecido mérito e êxito,antigos alunos, que me dizem que sou importante - e eu acho que eles é que são importantes;

11. Sou colega de antigos professores que me ensinaram o que hoje sei e de jovens professores a quem ensinei o que sabia;

(...)

Devia, de facto, pagar por todos estes privilégios!

Se a todos eles juntarmos o privilégio de saber e gostar de ler, escrever, interpretar, compreender o mais refinado humor, procurar aceder à Cultura e dela usufruir... Estou praticamente convencida a pagar para ir trabalhar!...

 

 

Não resisto...

Pelos vistos (li por aí, não sei bem onde, nem neste caso me interessa a fonte!) que o inefável MST tem ou tinha (também não quero saber ao certo...) a alcunha de "carapau", alcunha que vem mesmo a calhar para quem, como eu, foi por ele comparado às digníssimas (sem ironia, nem exagero!) operárias de uma fábrica de conserva de Rabo de Peixe.

Considere-se enlatado, inefável senhor!

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