Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

O Mundo Não São Só Dois Países

Numa viagem de comboio, dois jovens amigos com a poesia na alma, conversam: - Não sentes que há um determinado momento em que tens mesmo que escrever? - Sim, sinto que se não escrever nesse momento, não voltarei a escrever!

O Mundo Não São Só Dois Países

Numa viagem de comboio, dois jovens amigos com a poesia na alma, conversam: - Não sentes que há um determinado momento em que tens mesmo que escrever? - Sim, sinto que se não escrever nesse momento, não voltarei a escrever!

Exigir Não Pode Ser Um Erro

Estou hoje convencida de que sempre que não exigirmos a quem nos comanda e governa as condições necessárias para viver e trabalhar, com dignidade, somos cúmplices dos atos que eles, os que nos comandam e governam, cometem indevidamente. Frequentemente, temos medo ou pudor de pedir e de exigir. Somos, por isso, todos culpados do que à nossa volta funciona mal, das incorrecções, das ilegalidades, da negligência, da corrupção, maiores ou menores.

Dizemos, amiúde, não podemos, que não somos ninguém, que fazem o que querem, que temos que aguentar...

De facto, não somos ninguém.

Não somos ninguém quando não nos manifestamos,

Não somos ninguém quando nos acomodamos,

Não somos ninguém quando pactuamos,

Não somos ninguém quando afirmamos que não somos ninguém!

Não exigimos, apenas aceitamos, e aceitamos que exijam de nós. Por isso, a erros sucedem-se erros, a negligência segue-se negligência, tudo se degrada e deteriora e apenas assistimos, placidamente.

É, com efeito, mais cómodo...

 

O mundo precisa de quem tenha coragem de dizer, de se expressar, de denunciar. Naturalmente, sempre de forma correcta, objectiva, legítima. Exigir é, sim raro e difícil. Raríssimos são os que não têm medo de perder... o dinheiro seguro, o emprego, o cargo, as benesses. Há que elogiá-los, aplaudi-los e, no entanto, admitir que o que fazem não devia ser considerado extraordinário; fazem, apenas, o que todos nós deveríamos fazer e tantas vezes não conseguimos!

 

O mundo precisa de coragem, essa tão rara coragem!

De Que Mal Sofre, Afinal, O Mundo???

O mundo sofre, na minha muito modesta opinião, de falta de visão. Não têm visão ampla, global, os que têm poder, da mesma forma que não têm visão os que, sem ter poder, deviam unir-se para gerar mudança. Contrariam-se, discutem, amordaçam-se. Parecer bem é mais importante do que ser de bem.

Acomodaram-se as mentalidades... que é mais fácil pactuar do que fazer uma revolução, por insignificante (aos olhos dos outros...) que seja! Dias há em que apetece perguntar qual a última vez em que a pessoa ao nosso lado reivindicou, com rigor e seriedade, um direito que saiba que é seu. É muito cansativo manifestar um ponto de vista e persistir nele; é muito mais fácil fazer silêncio e esperar que passe a onda dos que protestam. E um dia passa, porque os que achavam que contestando podiam construir e deixar como herança um mundo melhor estão velhos ou já nem existem. Mesmo os revolucionários de outros tempos já só têm histórias para contar, e são poucos os que as ouvem. O que eu não percebi, não sei como cresceu, não vi avolumar-se foi o coro de vozes capaz de pactuar e incapaz de exigir. E contudo, cresceu, avolumou-se.

Ao coro dos que pactuam porque é cómodo, claro, juntam-se aqueles que dizem o que ao bolso convém sem nunca serem confrontados com a hipocrisia que lhes domina o discurso. E dormem tranquilos, estou certa...

Em boa verdade, o mundo sofre da incapacidade de perceber que a normalidade pode ser confortável, mas não muda sistemas injustos, o mundo sofre da falta de humanidade, no sentido em que é humano colocarmo-nos no lugar dos outros, o mundo sofre de pessoas que, capazes de escolher roupa em lojas, são incapazes de escolher ideias, menos ainda, ideais.