Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

O Mundo Não São Só Dois Países

Numa viagem de comboio, dois jovens amigos com a poesia na alma, conversam: - Não sentes que há um determinado momento em que tens mesmo que escrever? - Sim, sinto que se não escrever nesse momento, não voltarei a escrever!

O Mundo Não São Só Dois Países

Numa viagem de comboio, dois jovens amigos com a poesia na alma, conversam: - Não sentes que há um determinado momento em que tens mesmo que escrever? - Sim, sinto que se não escrever nesse momento, não voltarei a escrever!

Mais do que Um Livro

O Ano da Morte de Ricardo Reis é muito mais do que uma narrativa. Prosa embrulhada a preceito no melhor papel que a análise literária e a crítica social podem produzir, ao lê-la sentimo-nos a percorrer os caminhos que nos conduzem a Pessoa.

Na verdade, a um só tempo, relemos Pessoa; conhecemos os lugares e o tempo do poeta, que é, afinal, o nosso tempo; visitamos o Portugal de então e revisitamos o de todas as épocas - é que a lição de História que atravessa a obra é tão ampla como a lição de Literatura ou de Cultura.

Da reflexão à expressão popular, da citação ao modo próprio de dizer, da realidade histórica à ficção encaixada na ficção, Saramago une a sua nada banal narrativa à sublime poesia pessoana para criar um retrato intemporal, para fazer do seu texto um espelho que reflecte História e histórias, lugares, Pessoa ainda mais desmultiplicado. Não se trata, pois, de uma narrativa, mas de um vasto comentário através do qual se narram acontecimentos; não se trata de um livro, mas de uma lição preparada ao detalhe, fluentemente transmitida, como quem conversa.

Como todas as lições bem preparadas, obriga a um esforço de compreensão. Que isso não nos impeça de ler e reler!

Recomenda-se!

A adaptação para o cinema da peça Quem Tem Medo de Virginia Woolf? deu a Elizabeth Taylor o segundo Oscar como Melhor Actriz e o filme (1966) foi proibido em Portugal pela Censura. Era só o que faltava ao Estado Novo ver na tela gente naquele estado!!!

Agora, a peça de Edward Albee pode ser vista no Teatro da Trindade. 

Quem Tem Medo de Virginia Woolf?

Hoje é o Dia

É necessário que haja um Dia Mundial do Livro. Aliás, é necessário que haja um dia nacional ou mundial de tudo o que, só por si, não se impõe. Vêm, então, os dias nacionais e mundiais para tentar implementar o que naturalmente poderia ser, existir. Assim se passa com o livro. Houve tempos em que os livros existiam porque alguém os escrevia e outros os recebiam de bom grado, para se entreterem, para ocupar um tempo que sobrava ou apenas para saberem tanto quanto ou mais do que os pais e os avós.

Visto que o entretenimento ganhou estatuto electrónico, o tempo não sobra, ou quando sobra é depositado em teclas ou ecrãs, e os mais novos estão convictos de que já sabem mais do que os pais ou os avós, os livros deixaram de existir enquanto objecto privilegiado de entretenimento e conhecimento. Passou, pois, a existir o Dia Mundial do Livro em substituição do Momento Especial do Livro, aquele em que nos sentávamos a ler apenas porque ler era a única actividade capaz de:

- ajudar a passar o tempo;

- saber mais;

- cumprir a tarefa pedida na escola;

- tirar da estante o mesmo que os adultos lá de casa;

- conquistar um espaço e um tempo próprios,

- evitar tarefas que naturalmente nos custava mesmo muito fazer, como ajudar a lavar a louça.

Já nada disto parece importante, resta-nos, assim, o Dia Mundial do Livro, dia em que a maior parte do mundo não lê.

Hard to Avoid

Uma mania difícil de evitar, especialmente quando percebemos que há mais prosa e poesia para ler do que tempo nos deixam as tarefas banais do quotidiano.

O 'tsundoku' tem a extraordinária vantagem de não permitir intervalos entre leituras! De facto, não faço intervalos, ainda assim, tenho dificuldade em diminuir a pilha.


http://www.openculture.com/2014/07/tsundoku-should-enter-the-english-language.html

Pág. 1/2