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O Mundo Não São Só Dois Países

Numa viagem de comboio, dois jovens amigos com a poesia na alma, conversam: - Não sentes que há um determinado momento em que tens mesmo que escrever? - Sim, sinto que se não escrever nesse momento, não voltarei a escrever!

O Mundo Não São Só Dois Países

Numa viagem de comboio, dois jovens amigos com a poesia na alma, conversam: - Não sentes que há um determinado momento em que tens mesmo que escrever? - Sim, sinto que se não escrever nesse momento, não voltarei a escrever!

Dijsselbloem means... / significa...

...I'm richer than you!

...sou mais rico do que vocês!

 

...I believe I'm better than you!

...acredito que sou melhor do que vocês!

 

That's why I can humiliate you and offend you!

É por isso que posso humilhar-vos e ofender-vos!

 

I do not apologize!

Não peço desculpa!

 

Dijsselbloem means... / significa...

...prejudice, shame, lack of moral values.

...preconceito, vergonha, ausência de valores morais.

 

Sejamos justos, o que verdadeiramente penso é que não devemos ser "pobres e mal agradecidos"... Por acreditar sinceramente na citada expressão popular é que hoje, quando me dediquei, uma vez mais, à bela garrafinha de vinho tinto, o que fiz em honra da minha condição de nascida a Sul (duplamente nascida a Sul!), pensei: se o Sr. Dijsselbloem (tenho sempre que fazer 'copy - paste' a isto, o que lá para o Norte deve ser plágio, no mínimo!)... se o senhor XPTO pagou, escrevia eu, por que razão não hei-de beber?! E, então, decidida a não recusar a ajudinha, bebi mesmo! O belo copo de vinho à custa do Sr. Coiso... mas comprei o dito vinho em promoção, para ele não ter que gastar muito! O 'copito' foi a minha mais sincera forma de agradecer: obrigada, Sr. Coiso, para provar que estou agradecida por me ter pago este 'vinhitos', vou bebê-lo... até porque me ajuda a esquecer o facto de sermos tão maus e o senhor tão bom!!!

Acrescento ainda que, lá bem no fundo, o senhor Coiso é um erudito. Leu Saramago. Veja-se: a páginas 182 da minha modesta edição de O Ano da Morte de Ricardo Reis, que comprei em segunda mão para poupar e depois poder gastar em copos, lê-se: "as mulheres desta classe deitam mão ao que calha quando os ganhos do homem são poucos ou ele os sonega para gastar em vinho e amantes". O senhor Coiso é, pois, um homem de cultura e que sabe o que diz. Um homem assim merece ter nascido num país sem vícios! Agora, para um apontamento menos irónico... Trata-se, de facto, de uma pessoa muito estranha, ou talvez de uma cultura estranha, pelo menos, aos olhos do comum português. As declarações deste senhor que vieram a público hoje, dia 7 de Março de 2017, foram ainda mais estranhas do que as que iniciaram a polémica. Ou serão apenas reflexo de uma sociedade que tem poderosos e enfraquecidos pelo poder, uma sociedade em que domina o poder económico a ignorância que dele parece advir. As declarações deste homem são consonantes com a hegemonia do dinheiro e com a sobranceria dos que se julgam superiores.

A Não Perder!

O Teatro Taborda é um lugar excepcional. Estamos neste espaço como numa espécie de oásis derramado sobre a monotonia que o nosso quotidiano por vezes acarreta. Um oásis intelectual, um oásis que associa a beleza do espaço à beleza da arte; um espaço cuja calma nos atravessa o coração; um espaço de reflexão - a que existiu antes de nós e a que provocou em nós.

O Canto do Papão Lusitano (Peter Weiss) resulta, certamente, da urgência de reflexão sobre o passado e sobre o presente. É que o Papão parece não querer largar-nos!

"Sem criados, não há civilização" foi a frase que, depois da peça, ficou a martelar no meu pensamento, pela verdade que encerra, por ser tão actual quanto horrenda.

 

http://www.teatrodagaragem.com/?p=3683

http://www.teatrodagaragem.com/?p=3715

 

Hoje É o Dia da Mulher! Que É Como Quem Diz...

...é o dia dos úteros, ovários, períodos e dores menstruais, mamas, tensões pré isto e pós aquilo; exames ginecológicos ou, mais grave, a falta deles; cabelos pintados porque os brancos ficam bem mas é aos homens, dietas ou a culpa de não as fazer, sacos de compras e bebés carregados escada acima, olhares de desprezo ao mais pequeno deslize no trânsito, vizinhos que olham de lado para manifestações de independência do género sair tarde e chegar cedo ou sair cedo e chegar tarde (mesmo que seja para trabalhar!), malas que são uma autêntica casa (tudo absolutamente necessário...), divórcios de homens que não valem nada, divórcios de homens que são uns amores (num e noutro caso, prejuízos incomensuráveis!!!), dois empregos porque vivem sozinhas, dois empregos porque não vivem sozinhas; é dia de ser moderna, mas ai! que isso ainda não é bem visto; é dia de faz o que te apetecer, mas depois não te admires, olha que as pessoas falam; é dia de eu é que sei o que é bom para a minha filha ou de ai! se fosse minha filha!; é dia de então quando é que te casas; é dia de façam isso lá na terra delas que nós cá temos outros hábitos; é dia dos muitos epítetos criados para as mais diversas falhas, às vezes muitos epítetos para a mesma falha; é dia de gosto muito de ti toma lá um olho roxo; cuida tu dele que o filho é teu; é dia de tráfico, de exploração, de mutilações... enfim, haja um dia para celebrar isto tudo! 

Escrevia aqui mais umas quantas agruras a que estão sujeitas as mulheres, não para criar vítimas ou heroínas (até porque os factos naturais estão assimilados e os outros são batalhas de séculos e para séculos). Escrevia mais, porque há mais... Há mais em África, há mais na Ásia, há mais e há pior...

E a mim, o que me parece, é que em relação a todas as conquistas que exigiram lutas, batalhas, reivindicações (sejam as conquistas em torno da igualdade de género ou outras) ou erguemos já bem alto as nossas vozes, e juntos, ou não tarda perdemos o que a muito custo outros conquistaram por nós!

Compreendo...

Segundo sei, Ruy Cinatti deambulava triste por Lisboa, ao saber que Timor tinha sido invadido... Naturalmente! É sabido que A Ilha parte ao meio o coração dos que lhe pisam o chão, idos de outro chão.


Linha de Rumo

Quem não me deu Amor, não me deu nada.
Encontro-me parado…
Olho em meu redor e vejo inacabado
O meu mundo melhor.

Tanto tempo perdido…
Com que saudade o lembro e o bendigo:
Campo de flores
E silvas…

Fonte da vida fui. Medito. Ordeno.
Penso o futuro a haver.
E sigo deslumbrado o pensamento
Que se descobre.

Quem não me deu Amor, não me deu nada.
Desterrado,
Desterrado prossigo.
E sonho-me sem Pátria e sem Amigos,
Adrede.

Ruy Cinatti

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