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O Mundo Não São Só Dois Países

Numa viagem de comboio, dois jovens amigos com a poesia na alma, conversam: - Não sentes que há um determinado momento em que tens mesmo que escrever? - Sim, sinto que se não escrever nesse momento, não voltarei a escrever!

O Mundo Não São Só Dois Países

Numa viagem de comboio, dois jovens amigos com a poesia na alma, conversam: - Não sentes que há um determinado momento em que tens mesmo que escrever? - Sim, sinto que se não escrever nesse momento, não voltarei a escrever!

Artista Aprisionado

Como é sabido, Amadeo de Souza-Cardoso foi agredido fisicamente por ocasião da exposição das suas obras no Salão de Festas do Jardim Passos Manuel, no Porto, em 1916. O ultraje a este excepcional artista não termina, contudo, nem com este episódio, nem naquela época. Amadeo de Souza-Cardoso encontra-se, desde 12 de Janeiro de 2017, aprisionado num espaço exíguo que dá pelo nome de Museu Nacional de Arte Contemporânea do Chiado. A libertação está prevista para 26 de Fevereiro, mas até lá não respiram nem guitarras, nem barcos, nem janelas, nem máscaras, nem cores, nem palavras; não respira o artista, nem nada do que a sua obra contém.

A obra viu-se, "não mais que de repente", agrilhoada e confinada a salas onde os visitantes circulam (???) ombro com ombro, quando não ombro com obra. Se a isto se juntar o facto de que alguns visitantes desejam fotografar a obra, mais do que vê-la, os quadros expostos estão mesmo expostos... expostos à ignomínia, ao risco, à ignorância... No dia em que visitei a exposição-prisão, visitaram-na também mais mil quatrocentas e tal pessoas... Nem metade a deveriam ter visitado para que pudessem fazê-lo dignamente.

Aos visitantes comuns juntaram-se os das visitas guiadas, e assim se aglomeravam... literalmente! Ao museu e seus responsáveis não passou pela cabeça (caso a tenham...) alargar horários, pagar funcionários, desencontrar visitas (individuais e guiadas), anteriormente a tudo isto, não lhes passou pela cabeça procurar um lugar digno para expor obra de tamanha importância e envergadura.

A libertação está para breve... poderá, então, o artista respirar novamente, e de alívio, especialmente se a multidão enlouquecida e aglomerada não lhe beliscar a arte exposta. Consta que no Porto, no ano de 1916, as obras foram alvo de cuspidelas, mas para cuspir é necessário um certo distanciamento face ao alvo. Na exposição de 2017, esse é um risco que não se corre... Não há espaço para tanto...

O Dia de Hoje

Hoje foi dia de greve para os funcionários não docentes das escolas. Se assim aconteceu, foi porque se fazia necessário, já que são sempre as últimas pessoas a abandonar o navio!

São as últimas a ir para casa, as últimas a perder a paciência, as últimas a elevar o tom de voz, as últimas a dar sinais de cansaço...

E as escolas fecharam... o que prova da importância que têm, da falta que fazem e do relevo das suas múltiplas funções. Tenho profunda admiração pelo trabalho que desenvolvem e uma sincera amizade por muitos dos funcionários que me rodeiam. Sem eles, maioritariamente elas, não conseguiria fazer, eu, o meu trabalho. Fica aqui o meu agradecimento, embora todos os dias procure transmitir-lhes a minha amizade. Espero conseguir!

Estou convencida, além disso, de que se tivessem tido oportunidade de estudar, de ir, profissionalmente, mais além, não cometeriam muitos dos erros que todos nós cometemos, todos os dias, pelo simples facto de que às diversas capacidades e talentos que possuem, juntam uma sensibilidade que os bons observadores facilmente reconhecerão.

Se estiver por aí alguém que não concorde comigo, agradeço que não se manifeste.

Senhores funcionários, OBRIGADA!

"Os Outros"

Os outros são sempre os outros... amplamente considerados na Literatura e em todas as outras forma de arte, sistematicamente referidos em provérbios e outras expressões populares ("não faças aos outros..."), continuam a ser aqueles a quem tudo pode acontecer, porque são apenas... os outros! Todos nós somos, no entanto, algum dia, os outros. Por isso nos podem ignorar, fazer esperar, tratar mal... Por isso as nossas dores podem ser diminuídas, os nossos problemas desvalorizados, os nossos sentimentos enxovalhados... O mundo é, cada vez mais, assim! E, há que dizê-lo, não há nenhum presidente eleito, de nenhuma potência, a quem possamos atribuir responsabilidades... Quem ignora os outros somos todos nós e todos, num determinado momento, somos os outros, os ignorados.