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O Mundo Não São Só Dois Países

Numa viagem de comboio, dois jovens amigos com a poesia na alma, conversam: - Não sentes que há um determinado momento em que tens mesmo que escrever? - Sim, sinto que se não escrever nesse momento, não voltarei a escrever!

O Mundo Não São Só Dois Países

Numa viagem de comboio, dois jovens amigos com a poesia na alma, conversam: - Não sentes que há um determinado momento em que tens mesmo que escrever? - Sim, sinto que se não escrever nesse momento, não voltarei a escrever!

Mentalidades

Aos nossos olhos de leitores adultos ou aos olhos dos eruditos e dos estudiosos, o Diário de Anne Frank pode parecer uma obra menor sobre o tema do Holocausto. Envolta em polémicas várias e alvo de reedições, mais ou menos definitivas, trata-se de uma obra que certamente não impressionará a todos. O que já não se pode dizer é que, lida na adolescência, não desperte para uma realidade e contexto histórico que é nossa obrigação moral conhecer.

Eu li quando tinha 11 anos, altura em que muitos (seria um preconceito escrever "muitas") de nós tínhamos um diário e essa foi mais uma das razões para que a leitura me tivesse impressionado: os temas em torno da personalidade eram, mais coisa menos coisa semelhantes aos dos restantes diários, mas aos autores dos outros diários não faltava liberdade, nem sobrava silêncio ou medo.

Não me digam é que os nossos adolescentes não o devem ler, se o lerem talvez aprendam algo sobre a tolerância.

Calma...

Luang Prabang foi um dos lugares onde mais intensamente senti o efeito da beleza a tocar a tranquilidade. À data em que lá estive, era assim... Não sabemos nunca quando a avalanche do turismo desenfreado muda os cenários que um dia elegemos...
A verdade é que, ainda que este lugar mude, a imagem do lamacento Mekong como repouso para os olhos e para o coração é uma imagem que frequentemente me vem à memória e que, como o abraço especial de alguém que amamos (que nada pode substituir!) me traz um pouco da calma que a vida tantas vezes nos tira.

Obrigatório

No final da adolescência, em todas as férias grandes lia um Eça e um Steinbeck (ainda assim, ficou muito por ler!)...
Uma mania que acho que não me fez mal!

Primo Levi sobre o Holocausto

"Vós que viveis tranquilos

Nas vossas casas aquecidas,

Vós que encontrais regressando à noite

Comida quente e rostos amigos:

Considerai se isto é um homem

Quem trabalha na lama

Quem não conhece a paz

Quem luta por meio pão

Quem morre por um sim ou por um não.

Considerai se isto é uma mulher,

Sem cabelo e sem nome

Sem mais força para recordar

Vazios os olhos e frio o regaço

Como uma rã no Inverno.

Meditai que isto aconteceu:

Recomendo-vos estas palavras.

Esculpi-as no vosso coração

Estando em casa, andando pela rua,

Ao deitar-vos e ao levantar-vos;

Repeti-as aos vossos filhos.

Ou que desmorone a vossa casa,

Que a doença vos entreve,

Que os vossos filhos vos virem a cara". (in Se Isto é um Homem, tradução de Simonetta Cabrita Neto)

 

Digo sempre a mim própria que não volto a ler livros sobre o Holocausto... que me causam angústia, que já li o suficiente, que não consigo reter tudo, então, para quê ler mais, blá, blá, blá... Tudo verdade! Mas há sempre um livro que se tornou paradigmático e nos sentimos na obrigação de ler, um autor que se tornou universal e, por isso, inevitável.

Depois... há excertos que marcam, por uma razão ou por outra: "Esta divisão [entre os que se salvam e os que sucumbem] é muito menos evidente na vida comum: aí não é frequente acontecer que um homem se perca, pois normalmente o homem não está só e, no seu subir e descer, está ligado ao destino dos que o rodeiam; pelo que só excepcionalmente acontece que alguém cresça sem limites, ou desça continuamente de derrota em derrota até à ruína. (...)"

Lamento lembrar que a realidade do século XXI contraria, em grande medida, a perspectiva apresentada. Primo Levi morreu em 1987. Talvez hoje não fosse tão peremptório.

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