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O Mundo Não São Só Dois Países

Numa viagem de comboio, dois jovens amigos com a poesia na alma, conversam: - Não sentes que há um determinado momento em que tens mesmo que escrever? - Sim, sinto que se não escrever nesse momento, não voltarei a escrever!

O Mundo Não São Só Dois Países

Numa viagem de comboio, dois jovens amigos com a poesia na alma, conversam: - Não sentes que há um determinado momento em que tens mesmo que escrever? - Sim, sinto que se não escrever nesse momento, não voltarei a escrever!

...Friday

E se, em vez de um Black Friday, o mundo fizesse um...

...Reading Friday?

...Thinking Friday?

...Saving the World Friday?

...Good Manners Friday?

...Smiling Friday?

...Be Nice and Polite Friday?

...Outra Coisa Qualquer Que Não Envolva Dinheiro Friday?

Não Foste Tu, Foi O Teu Pai

Fábula do lobo e do cordeiro, de Fedro

 
Um lobo e um cordeiro,movidos pela sede, dirigiram-se ao mesmo riacho.O lobo parou no alto,o cordeiro muito mais abaixo. Então, o velhaco do lobo, invadido por uma desenfreada gulodice, procurou um pretexto para entrar em litígio.

- Por que é que - disse - turvas a água que eu estou a beber?
Cheio de temor, o cordeiro respondeu-lhe:
- Desculpa, mas como é que eu posso turvá-la? A água que bebo passa primeiro por ti.
E o lobo,vencido pela evidência do facto,disse:
- Há seis meses disseste mal de mim.
E o cordeiro replicou:
- Mas há seis meses ainda nem sequer tinha nascido!
- Por Hércules, então foi o teu pai que disse mal de mim - disse o lobo.
E saltou de repente para cima do cordeiro, despedaçando-o e matando-o injustamente.
 
Esta fábula pretende mostrar que quem quer agir contra inocentes só precisa de um pretexto, é uma fábula que vem lá de trás, da minha infância, contada pelo meu pai, antes mesmo de algum dia a ter lido.
Considero que, além dessa, e se sujeita a outra interpretação, encerra uma outra lição: a de que pelos erros de um pai não pode pagar um filho - qualquer atitude que não esta é vil e preconceituosa.

Apesar de...

A pobreza e a exclusão social não podem estar na origem de todos os males. Há um lugar, o mais importante, deixado ao rigor, ao cumprimento de regras, à Educação, com inicial maiúscula, às boas maneiras, aos valores morais, à identidade em detrimento dos bens materiais. Foi aqui que a sociedade afrouxou, aqui, onde alguns de nós persistimos, reside a razão do enxovalho de todos.

Se nos esquecermos disto, ignoramos, injustamente, as mãos cheias de seres humanos que estudaram e trabalharam para se erguerem da pobreza, apesar da fome, do frio e das carências que sentiam. Eu conheço alguns e sei de muitos!

Paris Vem a Propósito

Há alguns anos, muitos já, fiz em França um curso sobre Tecnologias e a Preparação de Materiais Didácticos. O curso realizou-se em Besançon, gostei da cidade, gostei muito da família que me acolheu, mas lamentei, em alguns momentos essenciais, a falta de companhia, de boa companhia: uma colega de trabalho que se inscreveu comigo teve um problema grave que a impediu de ir; o meu Francês deixa, em tudo, a desejar; às colegas de curso portuguesas, com quem mais facilmente comunicaria, não lhes apeteceu comunicar comigo (legítimo!), as colegas da outra nacionalidade presente (a sueca) foram afáveis e divertidas; à chegada e à partida, passagem por Paris. À chegada, a recepção e muito agradável companhia da amiga de uma amiga; à saída, uma tarde e uma noite para rever a cidade que "sempre teremos", que já conhecia, graças ao bom e velho inter-rail, e a que já voltei.

Curso terminado, comboio para Paris, avião de regresso a Lisboa às 6 da manhã, horas sem fim para rever lugares mágicos. Para garantir que tudo correria bem, verificação do percurso para o aeroporto de Orly, percurso feito, tempo de viagem cronometrado, Paris revisited. Algumas horas antes do embarque era chegado o momento de ir para o aeroporto: estações de metro confirmadas, bilhete comprado, iniciei o percurso. Desatenção, incapacidade de comunicação (o meu Francês era mais ou menos como o Inglês dos meus interlocutores - mau), resultado - o comboio, à hora escolhida, cerca da meia-noite, não circulava até Orly; a meio do caminho, terminava o percurso. Pensei que estava enganada, voltei ao ponto de partida e reiniciei o percurso, novamente a interrupção da viagem numa estação desconhecida. Dirijo-me a um francês, dois, três, quatro,... ninguém me compreende, ninguém me dá uma resposta, ninguém me liga... menos ainda quando digo que quero ir para o aeroporto. Nas grandes cidades, cada um tem as suas preocupações e... os seus medos... Hoje em dia, diferentes... A certa altura, repeti a pergunta sobre como sair dali a duas jovens senhoras (ou senhores...? Não é uma manifestação de qualquer censura ou preconceito, foi uma dúvida com que fiquei, apenas...), ignoraram-me e seguiram, na sua noctívaga pressa. Sentei-me, no meio da plataforma em que tinha descido, convencida de que só de manhã sairia dali e de que perderia o avião, não chorei, mas tinha vontade. Estava envolta em desânimo quando uma das senhoras se aproxima (terá ficado a pensar na noite que eu iria passar ao relento e voltou para trás), agarra na minha mala e me obriga a segui-la; a outra senhora ficara no último autocarro da noite, que obrigara a esperar por mim. Sigo a salvadora que me foi buscar, que puxava a minha mala, que me dizia que não havia outra forma de sair dali; obrigou-me a sentar-me, pagou o bilhete e disse que me avisaria em que paragem devia sair. Saímos, as três, chamaram um táxi, deram instruções ao motorista e perguntaram se eu precisava de dinheiro. Respondi-lhes que não e agradeci-lhes, agradeci mil vezes, então e depois.

Até este dia, não elogiava especialmente a simpatia dos franceses; depois deste dia, não voltei a generalizar antipatias.

Foi em Paris, esta história feliz, de Liberdade, Igualdade, acima de tudo, de Fraternidade!

 

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