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O Mundo Não São Só Dois Países

Numa viagem de comboio, dois jovens amigos com a poesia na alma, conversam: - Não sentes que há um determinado momento em que tens mesmo que escrever? - Sim, sinto que se não escrever nesse momento, não voltarei a escrever!

O Mundo Não São Só Dois Países

Numa viagem de comboio, dois jovens amigos com a poesia na alma, conversam: - Não sentes que há um determinado momento em que tens mesmo que escrever? - Sim, sinto que se não escrever nesse momento, não voltarei a escrever!

Escolas e Escolas

Dizemos, frequentemente, a título de incentivo aos jovens que nos rodeiam, que há lugares onde os meninos não têm escolas, onde as escolas são muito pobres e não têm materias, onde as crianças se sentam no chão... dizemos tudo isto... ou porque acreditamos, ou porque já presenciámos, ou porque lemos, ou porque vimos reportagens e documentários...

Quando, contudo, temos oportunidade de ouvir esta realidade narrada na primeira pessoa por quem dela se ergueu, a capacidade de superação ganha envergadura e agiganta-se. Quando um jovem conta que começou a sua escolaridade percorrendo a pé um caminho de quase duas horas até à escola, cedo, muito cedo, para garantir que tinha lugar para se sentar, quando conta que vendia jornais para estudar, já longe da sua aldeia (mas ainda não longe das dificuldades e obstáculos), quando conta que aprendeu na rua a língua em que estudou e que usa na profissão que conquistou, compreendemos que há escolas e escolas...

Há escolas que ficam a 5 minutos da nossa casa e há escolas a que chegamos se caminharmos 2, 3, 4 horas; há escolas em que há cadeiras e carteiras maltratadas e há escolas em que há chão, apenas; há escolas em que há quadro e giz (que já consideramos obsoletos e vamos abandonando) e há escolas em que nem isso há; há escolas em que os papéis se perdem, abandonados, pelo chão, e há escolas em que o único privilégio é a possibilidade de ouvir o professor; há escolas em que os professores tentam transmitir o que sabem e há escolas em que os professores tentam saber mais sobre o que transmitem, num esforço que nem sempre é frutífero; há escolas em que os livros se adquirem e se ignoram e há escolas em que os livros são um objecto mítico, inatingível, desejado.

Há escolas que são de outro mundo, um mundo distante, "um mundo tão distante e tão diferente" que a palavra Educação é sinónimo de conquista, de uma vida distinta da que até então se conheceu, de uma vida sonhada, de um futuro sonhado, de uma viagem circular de um homem que aprendeu e um dia ensinará.

Há vidas que são uma escola.

Questões Menores

Ouvi, num autocarro, o seguinte diálogo:

- Odeio os nossos professores...

- Eu também...

- ...principalmente o de História, parece que está a morrer. Parece que estão todos a morrer...

 

Na verdade, provavelmente estão, queridos jovens, provavelmente estão a morrer de cansaço, de desespero, de exasperação, de falta de respeito, de ingratidão, de impotência, da arrogância de todos os que acham que fariam melhor, de desprezo, de falta de confiança, de abandono, de falta de reconhecimento, de falta de tempo e de condições para ler e estudar e, assim, poderem fazer o essencial da profissão que escolheram: transmitir conhecimento. É esse conhecimento que vai morrendo aos poucos, com os professores que "estão a morrer", de incapacidade(s)...

Ainda sobre o diálogo do autocarro, o que fará o professor de História para exacerbar, desta forma, os ódios dos jovens? Talvez esteja a tentar alargar-lhes os horizontes, abrir-lhes a mente, mostrar-lhes o mundo sob diferentes perspectivas, ensiná-los a raciocinar, enfim... inconcebível, de facto; não se faz... Quem este senhor pensa que é?

 

Anterior à Primeira Vista

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Amanhã, estarei presente neste evento, como sempre que possível estarei presente em todas as acções, mais públicas ou menos públicas, que me liguem a Timor; como tentarei sempre saber daqueles com quem por lá me relacionei; a muitos chamo, definitivamente, amigos.

Já antes me sentia fascinada, ligada a Timor, sem que soubesse porquê... Há tantos países que foram oprimidos, tantos povos foram, são, em determinados momentos da sua história, abandonados pela sorte... Timor há muito que se me tinha instalado no coração; não escolhi, Timor é que me escolheu, no seu modo singelo de cativar corações.

Depois de lá ter vivido, partiu-me o coração ao meio, digo-o muitas vezes.

Um país, um povo, pessoas a quem chamamos amigos não se descartam depois de uma passagem, um tempo de convivência, umas quantas gargalhadas, uns momentos de diversão, não se tratam como os amiguinhos desfavorecidos que nós gostamos de dizer que ajudámos (não raras vezes são eles que nos ajudam...). As amizades dignificam-se.

A Ler...

Ainda não comprei, ainda não li, mas um destes dias, enquanto esperava, numa livraria, por um evento que, diga-se de passagem, se revelou bastante decepcionante, este livro estava mesmo ali à mão de semear e li três ou quatro páginas; pareceu-me muito, muito interessante: Os Timorenses, de Joana Ruas. Ainda por cima, sobre uma realidade que tanto me comove!

 

Cinco meses depois de escrever a primeira parte deste post, já comprei, mas ainda não li...

Pobreza

Em Portugal,  puxa-se de uns galões ou puxam-se uns cordelinhos e... tchan! Em pouco tempo, abrem-se portas, sorrisos, oportunidades...

Em escassas duas horas vi passar, recentemente, da mais ultrajante arrogância à mais enfática subserviência, atitudes separadas apenas por dois ou três telefonemas.

É lamentável. Fico profundamente desiludida quando verifico que assim é e penso que, enquanto assim for, seremos sempre pobres, da pior pobreza que existe, a de espírito.

 

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