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O Mundo Não São Só Dois Países

Numa viagem de comboio, dois jovens amigos com a poesia na alma, conversam: - Não sentes que há um determinado momento em que tens mesmo que escrever? - Sim, sinto que se não escrever nesse momento, não voltarei a escrever!

O Mundo Não São Só Dois Países

Numa viagem de comboio, dois jovens amigos com a poesia na alma, conversam: - Não sentes que há um determinado momento em que tens mesmo que escrever? - Sim, sinto que se não escrever nesse momento, não voltarei a escrever!

Inadiável

 

 

 

 

- O almoço de domingo, a cafezada com os amigos, o sol, o sofá da sala, o futebol e sei lá mais o quê...

Então, e o teatro? Do bom, daquele mesmo de qualidade?

- Para rir?

- Não, para instruir... Mas do bom!

- A sério?

- A sério... Experimenta...

 De 4ª a sábado - 21h30
Domingo - 16h00...

Teatro Municipal Mirita Casimiro

Av. Fausto de Figueiredo
2765 Estoril
Telefone
 21 467 0320

 

http://www.tecascais.org/

Viva Vi(lan)agem

Foto de Maria Guiomar Palmeiro.

 

De cartão em cartão, a galinha enche o papo!

Tenho vários... uns estão numa mala no dia em que eu saio com outra; outros perderam a validade, como se de iogurtes se tratasse; outros têm viagens que não foram utilizadas, apesar de terem sido carregados para realizar uma viagem que, de facto, se realizou logo a seguir (desses tenho vários!), outros têm viagens de outra linha, de outro dia, de outra empresa, de outra sei lá o quê... O sistema mais intrincado que já conheci para comprar um bilhete de transporte.

Um detalhe irrisório nesta kafkiana forma de viajar cá dentro é o facto de "isto" não ser um bilhete; é um cartão que, neste jardim à beira-mar plantado compramos, para, depois, comprarmos um bilhete. Ah... pensavam que era uma inteligente solução para uma questão de carácter ecológico?! Doce ilusão! Ficamos com o cartão, que pagámos, e com o bilhete, que também pagámos, com menos dinheiro e mais prejuízo ao ambiente.

Aquela mensagem absolutamente incontestável que surge no écrã da máquina ou na boca do funcionário - " cartão inválido" - provoca em mim uma inevitável reacção: "que excelente forma de roubar!". Se bem o penso, melhor o digo. Costumo verbalizar esta minha reacção, razão pela qual é quase certo que tenha inimigos em todas as bilheteiras da eficiente CP. Não se lhe nega essa qualidade: eficiente na forma como abocanha o dinheiro dos que dela necessitam.

Tudo isto só acontece, claro, se não houver greve. Nesse caso, estamos com sorte: não há transporte, o cartão não faz falta, por enquanto... Não me admiraria se um dia a digníssima empresa anunciasse: "por motivo de greve não há comboios, adquira na bilheteira o seu título de 'não viagem'.

À Espera

Aqui estamos, no dia 25 de Abril... à espera, há 41 anos!

À espera de um político que seja um homem íntegro;

à espera de homens íntegros sem discursos decorados;

à espera de incontáveis direitos que se desejam garantidos, por serem justos;

à espera da dignificação dos valores morais...

Aqui estamos...

 

Nesta, como noutras ocasiões, faço minhas as palavras de Chico Buarque:

 

"Foi bonita a festa, pá
fiquei contente
'inda guardo renitente, um velho cravo para mim

Já murcharam tua festa, pá
mas, certamente
esqueceram uma semente nalgum canto de jardim

Sei que há leguas a nos separar
tanto mar, tanto mar
Sei também como é preciso, pá
navegar, navegar

Canta a Primavera, pá
cá estou carente
manda novamente algum cheirinho de alecrim".

O Meu Conto no Dia do Livro

 

 

 

 

 

Foto de Maria Guiomar Palmeiro.

 

Chove e Faz Sol

Em tempos que já lá vão, quando as bruxas faziam pão e o sol ora espreitava, ora não, nasceu, numa aldeia distante, uma menina que não era igual a nenhuma outra da aldeia; ou do país, que também era distante; ou do mundo… Era azul e tinha pintinhas brancas. Ninguém, nunca, tinha visto uma menina assim… e ninguém queria ver. Por isso, a menina azul às pintinhas brancas não tinha com quem brincar, não tinha com quem conversar, não tinha com quem passear.

Apesar da solidão, que a levava a atravessar os campos, conversando com flores e animais, a menina nunca deixou de sorrir, nem de ver beleza em tudo. Ao esquilo, irrequieto como ela, disse, certo dia, que havia de construir um castelo; às formigas, persistentes como ela, disse, segredou que escreveria um livro; às flores, com quem tinha em comum a alegria da cor, contou que teria muitos amigos a rodeá-la de amor. Uma sombra perturbava esta alegria: não tinha com quem brincar e, por isso, às vezes, chovia nos olhos da doce criança. Um dia, passeava pelos campos com uma nuvem a bailar-lhe nos olhos, prestes a transformar-se em grossas pingas de chuva, aproximou-se um pássaro negro, de bico amarelo. Assustou-se a pequena; zangou-se o pássaro:

- Por que razão fugiste? Tenho penas negras, um bico feio e amarelo, mas sou pacífico.

- Peço desculpas por ter fugido. Que queres de mim?

- Fazer-te um pedido.

Então, o pássaro negro pediu à menina que a todos ajudasse, que continuasse a sorrir, que amasse a família, mais do que tudo, que fosse amável e obediente.

A menina regressou a casa e contou aos pais o sucedido. Os pais compreenderam que a vida da filha fora iluminada pelo pássaro de coração bom, que lhe oferecera felicidade, mostrando-lhe a senda que deveria trilhar para que todos olhassem apenas para a alegria e beleza que irradiava. Na aldeia, no país e no mundo, todos deixaram de ver a cor azul e as pintinhas brancas que cobriam a pele da menina; quando olhavam, viam só amizade e afeto.

- Bom dia – dizia ela, pela manhã, a todos os que encontrava. Este cumprimento, acompanhado de um sorriso sincero, era tudo o que importava e a menina tornou-se igual a todos as pessoas do mundo, do país e da sua aldeia distante. A menina já não é azul e as pintinhas brancas são, agora, invisíveis.

Nos tempos que correm, todos os dias espreita o sol… e o pão das bruxas está cada vez mais mole… Chuva, nunca mais! Seria mau, se fôssemos todos iguais.

 

 

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